sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Uma manhã

Mas um dia se inicia, e a este, dei a mim a oportunidade de observá-lo em sua mais complexa essência. Poucas vezes faço isso, muito embora tenha a oportunidade ilimitada de fazê-la sempre que quiser.
No entanto percebi nos mais singelos olhares, misturados com a angústia de "ser" o que é, uma tristeza que contagia o ar, que embaraça nossas mentes... incluse a do "ser". Participamos do processo de transformação de forma tão ativa, que passamos a "ser" passivos, e a não "ser". Ignorar a si mesmo, é uma demonstração de complacência com a mais cruel e fática realidade que nos cerca.
Somos Criadores de sonhos e Destruidores de realidade, muito embora sejamos Incapazes de notar a realidade que somos Capazes de criar. Um tanto contraditório não?
Um homem acaba de acordar, sem camiseta, com os pés descalços. Tendo a rua como consolo, dormiu à luz do luar, de uma madrugada cercada de magia e tormento, para extravazar toda incapacidade humana, gerar relatórios dos investimentos públicos, elevar índices de desnutrição, analfabetismo, criminalidade, para envíarmos à ONU, o resultado do grande acordo coletivo, a democracia, que visa diminuir as desigualdades, muito embora viva dela.
De pé, no ponto de ônibus, passaram-se dois minutos do trailer da vida, entre eu e este homem que a sociedade não o reconhece. Preciso ir trabalhar, retomar as minhas atividades profissionais, transformando a sociedade, ainda que também seja vítima dela.